Prevenção e diagnóstico precoce são o caminho para diminuição de mortes por câncer do colo do útero

A prevenção contra o vírus do HPV (sigla em inglês para papilomavírus humano) foi debatida em audiência pública realizada nesta quinta-feira (26/8) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

A deputada Edna Macedo (Republicanos), idealizadora do encontro, reuniu especialistas no assunto para conscientizar as pessoas sobre formas de prevenir e combater a infecção sexualmente transmissível que acomete homens e mulheres, provocando verrugas nas genitais e até câncer, a depender do tipo de vírus contraído.

De acordo com dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), surgem por ano cerca de 570 mil novos casos de câncer do colo do útero, que é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres. Por ano, 311 mil pessoas perdem a vida em decorrência da doença, o que leva a ser a quarta causa mais frequente de morte por câncer em mulheres. Entretanto, existe tratamento para a doença quando diagnosticada.

Durante a reunião, foi explicado que uma das medidas básicas para a prevenção do câncer causado pelo HPV é a vacinação, que é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014. Apesar disso, a cobertura vacinal ainda não atingiu seu objetivo em todo o país, de acordo com a presidente do Instituto Lado a Lado Pela Vida, Marlene Oliveira. Ela afirma que a imunização de adolescentes precisa ser mais difundida. “A gente tem que levar essa discussão para todos os ambientes porque a gente tem que aumentar a cobertura vacinal”, disse.

De acordo com a vice-presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, Angélica Nogueira, por ano, cerca de 16.500 mulheres vão a óbito devido ao câncer do colo do útero no país. Ela afirma que a alta incidência e mortalidade podem estar ligados à limitação de informações e às barreiras culturais, como o conservadorismo religioso e o tabu na discussão sobre sexo.

“[Se tratando de vacina anti-HPV] estudos internacionais afirmam que é mais eficaz falarmos que essa vacina evita o câncer e desvincular a questão da sexualidade, porque começamos a vacinar crianças muito jovens e isso traz resistência. Então trazendo o conceito de uma vacina anticâncer, o que é uma verdade, há uma aceitação maior segundo dados internacionais”, afirmou.

A deputada Edna Macedo defendeu a relevância da imunização em um contexto geral. “Toda vacina é importante e deve ser falada e instruída às pessoas, no tocante a importância na vida delas e das crianças”, disse.

De acordo com as especialistas, a prevenção e o rastreamento por meio de novas tecnologias, a vacinação e o tratamento de lesões iniciais são os métodos mais eficazes de combater o HPV.

Durante o encontro, a mestre e ginecologista Albertina Duarte comentou sobre a necessidade de abrir espaço para que pessoas de todas idades possam ter acesso a informação sobre o HPV. “Rodas de conversa, prevenção e diagnóstico precoce é o caminho para diminuirmos o número de mortes de câncer neste país”, afirmou ela.

Para a médica infectologista Rosana Richtmann, o engajamento de toda a sociedade possibilitará que a vacina alcance a todos. “Quanto mais pessoas estiverem nessa campanha, mais nós vamos atingir o nosso objetivo. Em relação à vacina nós estamos muito seguros, o que precisamos agora é colocá-las em prática”, afirmou.

O diagnóstico das lesões causadas pelo HPV foi amplamente discutido pelos médicos que estabeleceram que a prevenção é a melhor forma de evitar a contaminação do vírus. De acordo com eles, para as mulheres, a coleta do papanicolau a partir dos 25 anos é o mais recomendado, além do acompanhamento médico regular caso o paciente identifique lesões ou verrugas nas genitais ou sinta desconforto na boca ou garganta, locais onde a doença também se instala com frequência.

Para o médico urologista especializado em HPV, Julio Máximo, as medidas principais para evitar o HPV envolvem o tratamento precoce com imunização e proteção sexual. “É muito importante você ter o fornecimento de preservativos, vacinas, papanicolau e unidades preparadas para esse tratamento.

“Infelizmente no Brasil, apesar de todo o acesso aos preventivos, a maioria acaba sendo diagnosticada já com a doença localmente avançada”, afirma a médica oncologista da Universidade de São Paulo (USP), Daniela de Freitas, sobre a relevância da atenção aos cuidados com a prevenção para a efetividade do combate à doença.

Matéria completa: https://www.al.sp.gov.br/noticia/?26/08/2021/prevencao-e-diagnostico-precoce-sao-o-caminho-para-diminuicao-de-mortes-por-cancer-do-colo-do-utero

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