Tratamento do Câncer de ovário do tipo germinativo

Fui diagnosticada com câncer de ovário, e agora?

Tratamento da doença inicial

A doença inicial é aquela que está restrita ao ovário e/ou trompa. Isso ocorre ao redor de 60-70% dos casos de câncer de ovário do tipo germinativo. Nessa situação a cirurgia é o tratamento inicial, envolvendo principalmente a retirada do ovário acometido e da trompa adjacente. Será feita a visualização de toda cavidade abdominal para determinar a real extensão da doença. Após a cirurgia, todo material é enviado para análise e, a depender do resultado (extensão e tipo histológico do câncer) poderá ser necessária a realização de quimioterapia.

Tratamento da doença avançada ou recorrente

A cirurgia também deve ser feita no tratamento inicial das pacientes para determinar qual o tipo histológico do tumor, mesmo nos casos de doença avançada sempre que possível. Após, deve-se tratar com quimioterapia cuja resposta é muito alta. A radioterapia é utilizada em casos de exceção.

Como é o tratamento com cirurgia no câncer de ovário do tipo germinativo?

Tipos de Cirurgia

O tipo de cirurgia vai depender da extensão da doença e do desejo reprodutivo da paciente. Como a maior incidência desta doença é em pacientes jovens, é fundamental pensar em preservação da fertilidade sempre que possível. Não raro, o outro ovário pode estar com doença benigna (teratoma maduro) que deve ser removida, preservando o ovário – técnica chamada de ooforoplastia. Reservamos a retirada do ovário (ooforectomia) apenas pro ovário com câncer e da trompa (salpingectomia) para a trompa adjacente ao tumor.
Mais ainda, esta cirurgia pode ser realizada pela via clássica (incisão abdominal – transversa ou mediana) ou minimamente invasiva (laparoscópica ou robótica) à depender do tamanho do tumor e da experiência do cirurgião. Todas as técnicas possuem a mesma taxa de sucesso e cura, sendo seguras para a paciente. Entretanto, deve-se ressaltar que o ovário com câncer deve ser retirado íntegro, sem rupturas.
Dependendo do tipo de câncer, principalmente em casos iniciais de disgerminoma e teratoma imaturo, pode ser necessária a retirada dos gânglios pélvicos e paraórticos (linfadenectomia) e omento para confirmar se tratar de doença realmente inicial, dispensando uso de quimioterapia. Esta abordagem também pode ser realizada pela via clássica (incisão abdominal – transversa ou mediana) ou minimamente invasiva (laparoscópica ou robótica).

Efeitos Adversos do Tratamento Cirúrgico

Um efeito adverso é a esterilidade (não possibilidade de gravidez) caso tenham sido retirados ambos ovários e/ou útero. Nesta situação, a paciente também não menstruará mais. Por isso, sempre discuta com seu médico sobre preservação da fertilidade antes da gravidez.

Em casos que há necessidade de retirada dos gânglios pélvicos e paraórticos (linfadenectomia) pode haver inchaço das pernas após meses/anos da cirurgia.


Dor crônica, aderências e cicatriz mais espessa (queloide) são menos comuns nas cirurgias minimamente invasivas (laparoscópica ou robótica).

Quimioterapia para o câncer de ovário germinativo

Quando indicar:
indica-se após o tratamento cirúrgico conforme o estadiamento, ou seja, conforme a extensão da doença. Nos estádios mais iniciais não se indica a quimioterapia.

Principais quimioterápicos:

os principais quimioterápicos utilizados no tratamento do câncer de ovário germinativo correspondem à associação de medicações como o esquema BEP (bleomicina, etoposido e cisplatina) ou esquema EP (etoposido e cisplatina). Pode-se substituir a cisplatina por carboplatina caso exista alguma contraindicação, como por exemplo, alteração da função do rim.

Efeitos adversos da quimioterapia:

Correspondem aos efeitos colaterais dos esquemas de quimioterapia utilizados e que podem ocorrer durante ou logo após a aplicação como as reações alérgicas ou nos dias seguintes.

Deve-se sempre lembrar do efeito tóxico pulmonar da bleomicina como fibrose do pulmão e alterações na coloração da pele como aumento da pigmentação.

As medicações quimioterápicas podem ainda cursar com queda do cabelo, perda do paladar e do apetite, náuseas, mucosite (inflamação da camada mais externa da boca, nariz, região genital, anal e uretra), queda da imunidade e anemia (ambas observadas nos exames de sangue), diarréia, alteração da função do fígado ou do rim, entre outras.

Atualmente com as medicações de suporte é possível contornar a maioria desses efeitos colaterais e trazer muita segurança ao tratamento da paciente.

Tive câncer de ovário do tipo germinativo e recidivou, e agora?
Quando a cirurgia é recomendada? 
 

A recidiva de câncer de ovário do tipo germinativo é tratada geralmente com quimioterapia. Reservamos a cirurgia naqueles casos com baixa/má resposta à quimioterapia ou quando há contra-indicação ao tratamento quimioterápico. Nestes casos, recomenda-se a retirada de toda a doença e implantes (cirurgia de citorredução).

Quando a quimioterapia é recomendada?

O tratamento para este tipo de câncer é muito efetivo e com altas taxas de resposta e cura, mas caso o tumor volte existem esquemas de resgate de quimioterapia que também funcionam muito bem. Estes esquemas utilizam ifosfamida ou vimblastina associados a outros quimioterápicos como o paclitaxel e etoposideo.

Na doença recidivada, a quimioterapia deve sempre ser proposta porque corresponde à melhor alternativa de tratamento.

Vivendo após o câncer de ovário

A maioria das meninas e mulheres jovens são curadas com o tratamento cirúrgico e com quimioterapia, porém alguns casos podem apresentar recorrência da doença de forma precoce (nos primeiros dois anos) ou tardia. A estratégia de seguimento consiste em consultas avaliação médica e exame físico, coleta de sangue para avaliação dos marcadores tumorais (beta-HCG e/ou AFP) a cada 3 ou 4 meses nos primeiros 2 anos do diagnóstico, e a cada 6 meses após.

Além da consulta médica, sugere-se exame de imagem de seguimento com tomografia computadorizada a cada 4 ou 6 meses nos primeiros 2 anos.

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