Tratamento do Câncer de Vulva

Fui diagnosticada com câncer de vulva, e agora?

O tratamento do câncer de vulva envolve múltiplas equipes e modalidades de tratamento. Para os casos iniciais, a principal forma de tratamento é a cirurgia. Para as formas avançadas, o tratamento envolve radioterapia e quimioterapia.

Tratamento da doença inicial

O tratamento da doença inicial é preferencialmente cirúrgico, com o objetivo de remover completamente a lesão com margens livres. Em alguns casos, após o tratamento cirúrgico, o tratamento complementar (adjuvante) com quimioterapia e radioterapia pode estar indicado, de acordo com critérios como tamanho do tumor, presença de margens comprometidas por células cancerígenas e gânglios inguinais comprometidos. Pacientes frágeis ou contraindicações ao tratamento cirúrgico podem ser tratadas com uma combinação de radioterapia e quimioterapia ou apenas com radioterapia.

Como é o tratamento com cirurgia no câncer de vulva?

O tratamento da doença inicial é eminentemente cirúrgico. O objetivo da cirurgia é a ressecção radical com margens livres, ou seja, a partir da lesão, definimos margem de 2 cm para cada lado, que deve ser a área a ser removida.  Em caso de lesões multifocais, a ressecção deve incluir a mesma margem para todas as lesões, o que pode levar a necessidade de uma vulvectomia radical (retirada de toda a vulva). Margens menores podem ser admitidas se estivem muito próximas de áreas como uretra ou ânus, desde que sejam microscopicamente livres.

Tipos de cirurgia

As cirurgias utilizadas para o tratamento do câncer de vulva são:

  • Vulvectomia Radical em 1 Incisão: técnica inicialmente descrita para o tratamento do câncer de vulva. Hoje em dia menos utilizada por estar associada a maiores taxas de complicação (infecção de ferida operatória entre outras);
  • Vulvectomia Radical em 3 Incisões: técnica mais utilizada, que envolve uma incisão para vulvectomia e duas incisões em região inguinal para realização de linfadenectomia (retirada dos linfonodos);
  • Ressecção Ampla com 2 cm de margem e estudo dos linfonodos.

Pesquisa de linfonodo sentinela

Um aspecto importante do tratamento cirúrgico é a pesquisa de doença nos linfonodos. Mas o que são linfonodos? Os linfonodos são órgãos de defesa encontrados em todo o corpo e por onde passam os vasos linfáticos. Alguns tipos de tumor têm capacidade de enviar células metastáticas para esses linfonodos, por isso a necessidade de estudar os linfonodos que drenam a região da vulva.

Em caso de tumores menores que 2 cm e com invasão menor que 1 mm na análise histopatológica, ou seja, na biópsia, podemos não avaliar os linfonodos porque o risco de haver células tumorais neles é baixo.

Para lesões com até 4 cm, unifocais, podemos utilizar a técnica do linfonodo sentinela. O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo a drenar uma determinada área. Ele pode ser localizado após a injeção de um determinado marcador. O marcador utilizado (por exemplo um pigmento conhecido chamado Azul Patente) é injetado na área do tumor e depois procuramos os linfonodos que coraram em azul na região inguinal, que são então removidos e enviados para análise do patologista.

Tumores com mais de 4 cm ou com lesões multifocais devem ser tratados com ressecção radical e linfadenectomia inguinofemoral, ou seja, retirada de todos os linfonodos da região inguinal.

Efeitos adversos do tratamento cirúrgico

O tempo de recuperação após a cirurgia depende da extensão do procedimento. É esperado um certo inchaço após o procedimento e remédios analgésicos podem ser usados para controlar a dor no pós-operatório. Gradativamente, a ferida operatória se cicatriza e os pontos e drenos podem ser removidos. Nas primeiras semanas após a cirurgia, pode haver desconforto para se sentar e adotar as posições deitada ou em pé pode ser mais confortável.  Hoje dispomos de várias medicações para dor e é importante relatar para o seu médico se houver dor para que este sintoma possa ser controlado com sucesso.

O tratamento cirúrgico do câncer de vulva em geral, tem bons resultados, mas pode apresentar complicações. As mais comuns são deiscência (abertura da incisão cirúrgica) e infecção da ferida operatória. Outras complicações são sangramento, inchaço nos membros inferiores, alterações da sensibilidade no local e da sexualidade.

Radioterapia para o câncer de vulva

A radioterapia pode ser usada se o câncer de vulva se alojou em gânglios linfáticos ou mesmo em outros órgãos.

Há 2 grandes tipos de radioterapia: a externa que é administrada com uma máquina como se fosse uma máquina de raio-x; e a braquiterapia que é administrada com agulhas ou sementes radiotivas que são colocadas no local do tumor. 

Efeitos adversos da radioterapia

A radioterapia pode gerar uma certa inflamação dos tecidos próximos a região que recebeu a radiação. Assim, podemos esperar uma vermelhidão no local do tratamento e eventualmente ardor para urinar ou evacuar. Estes sintomas em geral não são muito exuberantes e devem ser discutidos com seu médico caso apareçam. As máquinas de radioterapia estão cada vez mais modernas e conseguem entregar a radiação mais diretamente para o tumor preservando os tecidos saudáveis vizinhos.

Quimioterapia para o Câncer de Vulva

A quimioterapia em câncer de vulva pode ser feita de forma associada à radioterapia para aumentar as taxas de resposta da radioterapia em alguns cenários específicos como em tumores localmente avançados na vulva (grandes em tamanho ou com comprometimento de gânglios). A cisplatina é a medicação de escolha na quimioterapia associada à radioterapia. Antes da administração de quimioterapia, seu médico solicitará exames laboratoriais para verificar as funções orgânicas. A cisplatina é contraindicada em casos de insuficiência renal.

Em outras situações em que não há indicação de radioterapia no local do tumor, a quimioterapia pode ser feita de forma isolada com um tipo de medicação da família das platinas ou com combinação de agentes quimioterápicos como carboplatina e paclitaxel. O tratamento com quimioterapia somente pode ser a escolha em casos de doença metastática em que o câncer está em mais de uma parte do corpo. Essas quimioterapias são administradas por via endovenosa.

Efeitos adversos da quimioterapia

Na quimioterapia com cisplatina, os principais efeitos colaterais são:

  • Náuseas, que atualmente são muito bem controladas com remédios administrados como pré-medicação na quimioterapia e/ ou em casa na forma de comprimidos;
  • Fadiga ou uma redução nos níveis de energia para realizar atividades;
  • Neuropatia ou formigamento nas mãos e pés. Este é um efeito colateral que é monitorizado pelo médico que segue a paciente e se houver indícios de neuropatia, as doses do quimioterápico podem ser ajustadas;
  • Zumbido no ouvido. Este efeito também é monitorizado pelo médico que prescreve a quimioterapia para eventual ajuste de doses;
  • Toxicidade para o rim e por isso é importante manter uma boa hidratação durante o tratamento;

A queda de cabelo pode ocorrer quando a quimioterapia baseada em platina é associada ao paclitaxel.

Tratamento da doença avançada ou recorrente

A doença é avançada é quando o câncer de vulva vai para outros lugares além do local onde ele se originou, por exemplo:

  • para os tecidos vizinhos
  • para os gânglios linfáticos (que são estruturas globosas envolvidas na defesa imune)
  • para vasos sanguíneos
  • para outros órgãos

O seu médico vai explicar onde ele detectou os tumores após realizar os exames de imagem como tomografias ou ressonâncias.

Chamamos de recidiva (doença recorrente) a situação em que o câncer de vulva volta a aparecer mesmo após o tratamento. Isto pode acontecer na própria região da vulva ou mesmo em outras partes do corpo.

O tratamento da recidiva (doença recorrente) pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Tudo depende da extensão da doença, estado geral da paciente e tratamentos anteriores. Por exemplo, em pacientes que já fizeram a radioterapia, nem sempre é possível repetir esta mesma modalidade de tratamento. Por outro lado, se o foco de recorrência é passível de cirurgia para remoção da lesão por completo, esta será a escolha terapêutica.

Tive câncer de vulva e recidivou, e agora? Quando a cirurgia é recomendada?

A cirurgia está recomendada em casos de recidiva central e em que não podemos realizar radioterapia, seja pelo fato da paciente já ter recebido radioterapia prévia na mesma região (no tratamento inicial, por exemplo), seja por outras contraindicações ao uso da radioterapia.

Tive câncer de vulva e recidivou, e agora? Quando a radioterapia é recomendada?

A radioterapia (combinada ou não à quimioterapia) é uma opção de tratamento para pacientes com recidiva localizada do câncer de vulva que não sejam candidatas a tratamento cirúrgico e que não tenham sido previamente expostas à irradiação do local. Caso a radioterapia tenha sido empregada previamente, a possibilidade de um novo tratamento deve ser avaliada caso a caso, levando-se em consideração as doses recebidas e potenciais efeitos adversos.

Tive câncer de vulva e recidivou, e agora? Quando a quimioterapia é recomendada?

A quimioterapia pode ser empregada na recidiva do câncer de vulva, em combinação à radioterapia, para pacientes com doença localizada que não sejam candidatas ao tratamento cirúrgico e que não tenham sido previamente expostas à irradiação do local.

É também indicada como tratamento isolado para pacientes que não sejam candidatas a uma nova cirurgia ou à radioterapia, e para aquelas com metástases a distância para órgãos como pulmões, fígado e ossos. Neste cenário, o objetivo da quimioterapia é controlar o crescimento da doença e auxiliar no controle de sintomas.

Vivendo após o câncer de vulva

Depois de concluir o tratamento do câncer de vulva, seu médico estabelecerá um plano de seguimento que envolve exames físicos regulares e exames de imagem em caso de surgimento de novos sintomas ou detecção de alteração no exame físico.

É fundamental que as pacientes fiquem atentas à região vulvar e virilha, e se houver aparecimento de nova ferida, abaulamentos, sangramento ou dor, o médico deve ser avisado para prosseguir com a investigação necessária.

Adotar um estilo de vida saudável após a conclusão do tratamento é muito positivo.

  • Mantenha um bom controle do peso;
  • Não fume ou procure auxílio médico para parar de fumar;
  • Pratique exercícios físicos regularmente;
  • Mantenha uma dieta balanceada.

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