Acordo do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos com a Internacional Gynecologic Cancer Society amplia acesso de médicos brasileiros a formação, pesquisa e redes globais em oncologia ginecológica
O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) e a International Gynecologic Cancer Society (IGCS) anunciaram uma parceria estratégica em educação, pesquisa e advocacy em oncologia ginecológica, conectando especialistas brasileiros a uma das principais redes internacionais da especialidade.
O acordo cria oportunidades de formação global, mentorias científicas, acesso a publicações de referência e participação em projetos colaborativos destinados a qualificar a resposta clínica e científica aos cânceres que mais afetam mulheres no Brasil.
Segundo as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tumores que acometem o sistema reprodutor feminino continuam entre os mais incidentes no Brasil. Para o triênio 2023–2025, são esperados cerca de 17.010 novos casos de câncer do colo do útero por ano, o que representa uma taxa estimada de 15,38 ocorrências a cada 100 mil mulheres — tornando-o o terceiro tipo de câncer mais frequente entre mulheres brasileiras, atrás apenas dos cânceres de mama e colorretal.
Este tipo de câncer é diretamente associado à infecção pelo vírus HPV, um agente sexualmente transmissível que também está relacionado a outras neoplasias anogenitais.
Além do colo do útero, outros tumores ginecológicos com alta relevância epidemiológica incluem:
• Câncer de ovário: estimado em mais de 7.300 novos casos por ano no Brasil, de acordo com dados oficiais do INCA, ocupando posição de destaque entre os tumores do sistema reprodutor feminino.
• Câncer de endométrio: cerca de 7.840 novos casos anuais estão previstos, refletindo a importância crescente dessa forma de tumor em mulheres pós-menopausa.
• Tumores raros como câncer de vagina e vulva: embora a estimativa nacional de novos casos seja escassa, relatos clínicos e estudos indicam que esses tipos representam uma pequena parcela dos tumores ginecológicos, com a vulva
correspondendo a cerca de 3% a 5% das neoplasias malignas femininas de órgão genital — e sem dados específicos consolidados pelo INCA no cenário nacional.
Os indicadores mostra que, somados, os cânceres ginecológicos representam cerca de 30 mil novos diagnósticos por ano no Brasil, segundo levantamento epidemiológico, destacando a necessidade de esforço contínuo em prevenção, rastreamento e tratamento.
Por que a parceria com a IGCS pode fazer diferença
Especialistas afirmam que a qualificação da resposta a esses tumores vai além do âmbito clínico local. A participação em redes internacionais permite:
• acesso a técnicas de diagnóstico de última geração, que podem antecipar detecções e ampliar chances de cura;
• apoio a pesquisas multicêntricas, fundamentais para entender diferenças regionais de incidência e resposta a tratamentos;
• intercâmbio científico que fortalece publicações e visibilidade global da ciência brasileira.
Para cânceres como o de ovário, que frequentemente são diagnosticados em estágios avançados por falta de rastreamento eficaz, a troca de protocolos clínicos com centros de excelência pode acelerar a adoção de melhores práticas terapêuticas.
Metas de saúde pública e desafios
O câncer do colo uterino é altamente prevenível por meio da vacinação contra o HPV e de exames periódicos como o Papanicolau. Embora o Brasil tenha incorporado a vacina no calendário nacional de imunização e políticas de rastreamento, as taxas de incidência e mortalidade ainda não apresentam redução satisfatória. Em 2022, o país registrou perto de 7 mil mortes pela doença, um marco que especialistas consideram evitável com estratégias de saúde mais robustas.
A infecção pelo HPV, que está na raiz da maioria desses tumores, continua sendo um fator de risco maior, reforçando a importância de campanhas educativas e de vacinação abrangente para meninas e meninos.
Caminhos para o futuro
A aliança entre o EVA e a IGCS chega em um momento de urgência e de oportunidade para a oncologia brasileira. Ao combinar a experiência local com redes globais de formação e pesquisa, a estratégia busca trabalhar a redução das desigualdades regionais no acesso ao tratamento oncológico. Além disso, elevar a produção científica nacional em oncologia ginecológica e ampliar a participação de profissionais brasileiros em estudos que podem definir práticas clínicas em nível global.
Em um cenário em que milhares de mulheres enfrentam diagnósticos tardios ou acesso limitado a tratamentos, a cooperação internacional representa um passo significativo para qualificar o enfrentamento dos cânceres ginecológicos no Brasil.
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